quarta-feira, 30 de junho de 2010

DONA MARIA PADILHA

É bonita, jovem, sedutora, elegante, feminina, mas também tem vidência, é certeira e sempre tem algum conselho para aqueles que estão sofrendo por um amor, mas também é usada a sua força para desmanchar feitiços, para pedir proteção e curar várias doenças.
Mas não se engane, pois ela gosta de ser respeitada e admirada e é ponta de agulha, quem brinca com ela geralmente vai morar na sepultura.
Sua característica principal é ser uma pombagira festeira adora festas com ritualísticas e alegria daí ser chamada de rainha do candomblé.
Prefere bebidas suaves, vinhos doces, licores, cidra, champagne, anis, etc...
Gosta de cigarros e cigarrilhas de boa qualidade, assim como também lhe atrai o luxo, o brilho, destaque, flores e perfumes, usa sempre muitos colares, anéis, brincos, pulseiras etc...
Maria Padilha se divide em muitos outros caminhos, para melhor reverencia-la:
É a Rainha do reino da lira, "Lira é uma cidade africana, que fica nas fronteiras orientais do Reino Baganda, de lá venho eu..." também conhecida como "Rainha do Candomblé" ou Rainha das Marias.
Rainha do candomblé não pelo culto africanista aos Orixás, senão por ser essa palavra o sinônimo de dança e música ritual.
Devemos dizer que a Pombagira representa o poder feminino feiticeiro, comparável com as Iyami Oxorongá dos iorubás. Ela pode ter muitos maridos, que se tornam seus "escravos" ou empregados.
Em terras bantas é originalmente chamada de "Aluvaia-Pombagira", esta é uma palavra africana de um idioma do povo banto (Angola), erroneamente confundido por algumas pessoas desinformadas com palavras do português "pomba um pássaro" e "gira sentido demovimento circular".
Mulher de Exu rei das 7 Liras ou Exu Lúcifer como é conhecido nas kimbandas.
Maria Padilha Rainha dos 7 Cruzeiros da Kalunga
Maria Padilha Rainha das 7 Encruzilhadas
Maria Padilha Rainha dos Infernos
Maria Padilha Rainha das Almas
Maria Padilha das Portas do Cabaré
Maria Padilha Rainha das 7 Navalhas (ou facas)
Maria Padilha Rainha da Figueira
Entre tantas outras...
Larôie Pombagira.

Todas as pombagiras que atuam na falange de Dona Maria Padilha mostram-se extremamente poderosas e carismáticas. Possuem uma legião de fiéis seguidores.

Essas entidades costumam ajudar demasiado seus cavalos em questões materiais e amorosas. Milhares de entidades pertencem ao comando "Padilha" atuando em praticamente todos os setores da vida humana, claro que dividem-se por especialidades e afinidades.

A falange de Maria Padilha possui forte atuação em diversos seguimentos e linhas. Por identificação vibratória, muitos dos espíritos que integram grau de hierarquia, viveram como nobres entre os anos 1400 e 1800. Vem daí que muitas histórias sobre Maria Padilha (que na realidade deve ser Marias Padilhas) retratam rainhas, cortesãs ricas e mulheres que exerceram seu poder. Estas mulheres participaram ativamente das muitas conspirações que envolviam os bastidores do poder, na época em que viveram...

SARAVÁ À TODAS AS MARIAS... DA FALANGE DE PADILHA.

CLAUDIA BAIBICH
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Texto copiado do blog Umbanda Estudo:
http://umbandaestudo.blogspot.com/2009/04/pg-maria-padilha.html
Imagem por Marcelo Dalla copiado do seu blog
http://marcelodalla.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O FOGO

Chamamos de fogo o resultado de um processo muito termoquímico exotérmico de oxidação. Geralmente, um composto químico orgânico como o papel, a madeira, os plásticos, os gases de hidrocarbonetos, gasolina e outros, susceptíveis a oxidação, em contato com uma substância reduçãooxidante (oxigênio da atmosfera , por exemplo) necessitam de uma energia de ativação, também conhecida como temperatura de ignição. Esta energia para inflamar o combustível pode ser fornecida através de uma faisca ou de uma chama. Iniciada a reação de oxidação, também denominada de combustão ou queima, o calor desprendido pela reação mantém o processo em marcha.


Por Adalberto Antônio Pernambuco Nogueira (in memoriam)

Presidente da União de Umbanda (Porto Alegre/RS)

Trechos publicados em duas edições no Jornal JOCAB (meados de 1994)

O chamado ponto-de-fogo, um dos mais utilizados recursos da Umbanda e dos Cultos Africanos, é o efetuado com a pólvora e para finalidades as mais diversas. Seu uso na Magia Negra é bastante difundido e os feiticeiros o utilizam em suas investidas contra seus adversários ou suas vítimas.

A pólvora é também conhecida por fundanga ou tuia e a sua fabricação pode ser caseira ou industrializada. A diferença entre uma e outra é idêntica a dos defumadores ou banhos de ervas colhidas e os comprados em firmas especializadas, isto é, nestas falta-lhes o preparo mágico indispensável e a dosagem exata de seus componentes o que, por vezes, impede seja atingido o fim colimado.

Fundanga é uma expressão de origem kimbundo e seu significado, naquele idioma, é exatamente, pólvora.

Quanto a tuia, ainda que por sua morfologia nos afigure palavra de origem indígena é oriunda do ioruba tuyo que significa expelir, deslocar para fora.

A palavra representativa de pólvora nos idiomas indígenas, somente a fomos encontrar no tupi e é uma palavra arcaica e obsoleta na Umbanda, pois jamais ouvimos sequer um Caboclo solicitar mocacui para seus trabalhos, dando preferência, invariavelmente, às expressões de origem africana.

A pólvora é um elemento de Magia ambivalente prestando-se, destarte, à serviços para o Bem e o Mal. É, pois, por sua potência, um dos recursos mais utilizados pelos feiticeiros para o enfeitiçamento de pessoas ou coisas tendo, ainda, o inusitado dom de transmitir ou conferir, a quem quer que seja, todo o poder que sua utilização seja feita com a estrita obediência dos preceitos de Magia e independentemente do fim a que se destina.

Tais fatores, conjugados, nos levam à conclusão de que todos os trabalhos com pólvora exigem uma concentração e precaução extraordinárias. Daí o porquê só devam ser feitas por entidades, na sua quase totalidade Exus, ou quando considerarem oportuno, delegarem poderes a um médium especializado para sua execução.

O primeiro nos impulsiona constantemente para a frente e para o alto nos dá ânimo e pertinácia em todos os nossos passos, nos concede o ardor, a iniciativa, o espírito de luta, a vontade e a capacidade de satisfazer nossos desejos atingindo o objetivo de nossas aspirações mas, em troca, nos oferece a inquietude, a inconstância e o amor às mudanças e novidades, a impulsividade que nos leva a ações inconseqüentes, recolhendo frutos não amadurecidos e perdendo os melhores e mais compensadores resultados de nossos esforços.

O segundo, é aquele que nos tolhe e nos traz desenvolvimento, fazendo-nos introspectivos, nos causa medo e a reflexão, nos leva a cingir-nos e a fixar-nos tanto no erro quanto na verdade, nos hábitos viciosos e virtuosos, nos torna fiéis e perseverantes, firmes em nossa vontade e tenazes esforços, e nos capacita a atrair aquilo para o que estamos interiormente sintonizados pelos nossos pensamentos, convicções e aspirações.

Em contraposição, nos acarreta a desilusão e o discernimento, nos afasta das mudanças e de toda ação irreflexiva, porém, também, de todo progresso, esforço e superação.

Apresenta-nos, agora, o terceiro componente, o carvão, inteiramente distinto dos demais, pois sua propriedade primordial é a fácil absorção dos fluidos de quaisquer naturezas. Assim sendo, todas as emoções astrais são por ele retidas e, por isso, desembaraça os objetos materiais dos fluidos de que se encontram impregnados. Sua ação intermediária, neste sentido, se caracteriza pela lentidão e segurança, e o fato de agir em estado natural obrigam-nos a conjurá-lo quando em seu uso em trabalhos de Magia, a fim de limpa-lo dos maus fluidos de que, porventura, esteja impregnado.

Hermeticamente, o carvão, em seu estado natural é o símbolo da Constância e, em combustão, do Fervor, isto porque, neste estado, consegue dissolver o mais duro dos metais.

O estudo acurado dos elementos componentes da pólvora e da dualidade de suas funções, inerentes a tudo o que existe no Universo, é suficiente ao iniciado para saber onde, quando e como usa-la e, ao Mago, para possibilitar-lhe o conhecimento de seus efeitos malévolos contra indivíduos e coisas, se utilizada no campo da Magia do Mal, assim como aquilatar o poder e os conhecimentos de quem a empregou.

De tudo o que dissemos, deduz-se que a pólvora jamais deve ser queimada dentro de casas ou ambientes fechados e sim, próxima a aberturas, pois o recinto fechado não permite a evaporação das camadas deletérias por ela deslocadas em sua explosão, o que determinará o sobre carregamento do ambiente de novos resíduos, estes já oriundos de sua ação.

Apesar de ser a pólvora a força máxima pra limpeza, seu uso deve ser restrito a casos da mais absoluta necessidade e, além dos cuidados já arrolados no presente trabalho, sob a responsabilidade do Guia-Chefe ou de seu preposto, com o auxílio, é evidente, das falanges trabalhadoras ou evocadas. Outrossim, jamais poderemos iniciar sua combustão senão com fósforos pelo mão-de-fogo, ou charutos, no caso de entidades incorporadas. Em hipótese alguma utilizaremos a chama de velas para tal fim e, muito menos, isqueiros.

Concluindo, queremos frisar que algumas casas, face aos solertes ataques que são dirigidos à nossa Religião, taxada de primitiva, mercê de seus rituais, vêm abolindo o uso da tuia às vezes até em choque com as instruções emanadas dos Guias. A estas acometidas podemos antepor o uso dos fogos nas procissões e festas católicas, principalmente nas de São João, Pedro e Antônio e que, em suma, nada mais representam que uma queima, semelhante aos seus efeitos, ao nosso ponto-de-fogo. Ademais, quando o Astral Inferior que envolve nosso Planeta com suas densas camadas, encontra-se sobrecarregado de cascões, vampiros, magos negros, corpos astrais de animais, formas de pensamento maus, de criação consciente ou inconsciente, artificiais humanos e invólucros vitalizados, estes da mais alta periculosidade e utilizados nos trabalhos de Vodu, o Alto, em sua Eterna Sabedoria, envia violentos temporais cósmicos, onde os efeitos luminosos da queima da pólvora cumbem, pela eletricidade cósmica, de limpar o ambiente. É claro que tais tormentas, tão bem descritas por André Luiz, chegam até nós sob a forma de cataclismos materiais que, em que pese a violência de que se revestem, nada mais são que meros reflexos dos originais.

Então o fogo produzido pelas descargas elétricas age sobre os componentes da pólvora desanuviando o ar pesado e tenso acumulado durante o longo período que as antecedeu.

A descarga da pólvora que efetivamente nada mais é que um insignificante arremedo, no Microcosmo, dos recursos utilizados pelo Poder Universal com idênticas finalidades, é claro, as enormes proporções que o separam do Macrocosmo.

Ao encerrarmos, voltemos à tecla que jamais cansaremos de acionar: se o irmão não estiver devidamente preparado, se não possuir o axé de mão-de-fogo e, principalmente, se não encontrar previamente autorizado por nossos Grandes Mestres ouça nosso conselho e não se arrisque inutilmente a executar vaidosamente um trabalho de tal monta. Se o fizer, estará em idêntica situação de um motorista que, ansioso para mostrar sua habilidade e competência, não se peja em pôr em risco não apenas sua vida, mas, o que é mais grave, a de todos que o acompanham em seu veículo. E, se alguma vez sentir-se tentado a faze-lo que, nesta hora, ressoem em seus ouvidos a Curimba de Fogo, a fim de alerta-lo sobre o erro em que incindirá:

Só queima tuia quem pode queima

Meu ponto é seguro, não deve falhá

Só manda fogo quem pode mandá

Meu ponto é seguro, meu Pai Oxalá

Caso, no entanto, esteja capacitado a faze-lo, que Oxalá o permita, nunca sua mão se aproxime de um ponto-de-fogo com intenções outra as que não a de trazer benefício aos seus semelhantes. Que sua conduta seja reta, sua fé acendrada e a confiança em seus conhecimentos inabalável. Que o irmão aprove, sempre em todas as oportunidades, que é um verdadeiro portador do axé de fogo.

Sarava!
Texto copiado do blog: raizculturablog de 8 de maio de 2009

sábado, 15 de maio de 2010

As Sete Lágrimas de um Preto-Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces, não sei por que, contei-as, foram sete.
Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei:
-Fala meu Velho, diz ao teu filho por que externas assim uma visível dor?
E ele, suavemente respondeu:
-Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.
- A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...
- A segunda, a esses eternos duvidosos, que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar, aquilo que seus próprios merecimentos negam.
- A terceira, distribuí aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejando prejudicar aos seus semelhantes.
- A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual, e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, e não conhecem a palavra gratidão.
- A quinta, aos que chegam suaves, com risos, o elogio na flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: "Creio na Umbanda, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso ou me curarem disso ou daquilo".
- A sexta, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos, e seus olhos revelam um interesse diferente.
- A sétima, filho, nota como foi grande e como deslizou pesada: Foi a última lágrima, aquela que vive nos "olhos" de todos os Orixás. Fiz a doação dessas aos médiuns vaidosos, que só aparecem no centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos que vistes cair, uma a uma as sete lágrimas de um Preto-Velho.

domingo, 9 de maio de 2010

BESOURO - O EVENTO FOI UM SUCESSO !

Ontem foi realmente um sucesso o debate do filme "BESOURO" no Teatro VIVO com direito a berimbau e jogo de capoeira ! Bom astral, boas perguntas, excelentes respostas, mas que deixaram a todos com sabor de "....quero mais". Quem sabe em breve teremos outro debate como este. Parabéns a Tricia, Helga e Laura pela organização nota 10. Parabéns Cris Nico que se saiu como sempre muitíssimo bem como moderadora com sua simpatía e bom astral e aos participantes Alexandre Meireles nosso querido Babá da Casa de São Lázaro, Marcos Veríssimo do Grupo Caifazes, Alexandre Cumino sacerdote da Umbanda e a psicóloga Suely Akimi Mizumoto que deram um show de conhecimento e sabedoria do tema em questão. Aqui ficam algumas fotos como registro do evento.






segunda-feira, 12 de abril de 2010

OGANS - NOSSOS AGRADECIMENTOS

Em uma casa de Orixá, seja ela de Umbanda ou Candomblé, além do sacerdote, popularmente chamado de Pai ou Mãe-de-Santo, possuem outros elementos que dão suporte aos nossos trabalhos de Umbanda, e que são por excelência considerados autoridades na casa. O Ogan é um destes elementos.
Uma das principais características destes irmãos, é a capacidade mediúnica de ativar correntes energéticas e vibratórias através do canto e do toque, dentro da Umbanda, são eles o complemento fundamental para a concepção da força vibratória de um terreiro.
Na Umbanda atual, tem sido muito comum, encontrarmos ogans que no decorrer das sessões, deixam os atabaques para integrarem a corrente e conseqüentemente manifestarem seus mentores. Neste caso, temos uma opinião pessoal á respeito, ou seja, estes irmãos não podem ser considerados como Ogans de fato, mas sim alguém que está momentaneamente ajudando a casa tocando o atabaque.
Neste sentido, é preciso esclarecer que, ser Ogan, é ser detentor de um privilegio de poucos, é ser um sacerdote específico de louvor aos orixás, é ser responsável pela alegria e vibração positiva do terreiro, responsabilidade que não se atribuí em igualdade litúrgica aos médiuns de corrente, aos quais são atribuídas outras responsabilidades dentro da linha doutrinária de cada terreiro.
Na Umbanda os Ogans são naturalmente os tocadores de atabaque, ou simplesmente “Tabaqueiros”, são elementos de extrema importância e confiança do líder espiritual da casa. O Ogan de Umbanda, é por excelência um Pai espiritual, pois normalmente são exímios conhecedores das rezas e fundamentos de cada orixá. Durante os trabalhos, sabem a hora exata de se entoar cada canto, seja ele para limpeza de um médium, ou seja para fortalecimento do terreiro.
É imprescindível salientarmos que, a Umbanda possuí ensinamentos e fundamentos específicos para a formação e fortalecimento do Ogan, enquanto parte de um corpo sacerdotal, no entanto, notamos que a falta do conhecimento em muitos casos, fazem com que o cargo ou título em questão, tenha um sentido menos valorativo em relação aos demais dentro de um terreiro, o que não é verdade!, Pois o dom, é uma dádiva de Deus, não é imposto, ele nasce com o homem.
Os fundamentos litúrgicos em relação à formação do Ogan de Umbanda, são apenas atos que confirmam o que Deus já consagrou, no entanto, a ausência destes atos na vida do Ogan, em nada diminui sua importância enquanto sacerdote, apenas deixa em aberto alguns fundamentos de suma importância para o seu crescimento espiritual, e de auto valorização do Ogan de Umbanda.
Meus amados tratem com carinho e devoção seus Ogans, pois são eles que de alguma forma, fazem com que os caminhos á serem trilhados dentro da religião, seja menos penoso, mais alegre e muito mais feliz
(Contatos com o autor: Itamar@jornaldeumbandasagrada.com.br)
Postado por COMUNIDADE UMBANDA SÃO SEBASTIÃO

sexta-feira, 12 de março de 2010

O PAPEL DAS IABÁS NA UMBANDA

Iabá ou Iyabá é o termo usado para definir os Orixás femininos tais como: Oxum, Oyá, Obá, Yewá, Iemanjá, Nanã e outras. Também é a designação de um cargo feminino, dentro de um Centro de Umbanda, sendo que, quando um médium passa a ser uma Iabá, é porque sua sensibilidade está se aflorando, é um crescimento espiritual.

A Iabá é a responsável pela preparação das oferendas ou amacis, tanto preparo das oferendas aos Orixás, quanto preparo dos amacis para os médiuns, sempre se utilizando das mesmas pedras. O amaci é uma mistura de água pura e sumo de ervas, imantado aos pés do Congá, que dentro da Umbanda, é o altar. Basicamente, o amaci é utilizado para reenergizar o chacra coronário, para que o médium suporte as incorporações e as energias manipuladas na Umbanda.

No livro “A Missão do Espiritismo”, psicografado por Hercílio Maes, pelo espírito Ramatis, apresenta um estudo profundo de comparação entre religiões e nos explica, que diferentemente dos irmãos espíritas Kardecistas, um médium de Umbanda trabalha diretamente no desmanche de fluidos pesadíssimos emanados da magia negra, em um trabalho corpo-a-corpo que exige proteções fluídicas, como no caso do uso do branco ou das tradicionais guias no pescoço. O amaci então, tem a função de reenergizar o médium diante de tamanho desgaste físico e espiritual, fortalecendo seu corpo e seu perispírito, bem como fazendo uma conexão com os guias que compõem sua corrente espiritual, em especial seu guia chefe.

Ao preparar o amaci, a Iabá deve estar sempre buscando a sintonia com o Orixá correspondente através de seu ponto, vibrando sempre com amor e fé. Há de se saber, que a Iabá está colocando também a sua vibração no que está fazendo, portanto também possui responsabilidade no que acontece ao médium envolvido.

Outra responsabilidade da Iabá é com relação ao bom andamento dentro da corrente, cuidando do médium desatento ou distraído. Ela ensina como o médium deve se comportar na corrente e deve sempre prestar atenção em tudo que está acontecendo. Ela ajuda na busca das entidades dos médiuns, sentindo a necessidade de cada um. Se tiver duvidas, deve esclarecê-las com o Dirigente do Centro, um dos Babás ou com as Entidades de Luz. Em reuniões de Iabás com os Babás o que for falado sobre os médiuns e seus problemas, será sempre na intenção de como ajudar o mesmo. Porque temos na corrente, médiuns em vários níveis de desenvolvimento com suas entidades. O que for dito nas reuniões não deve ser levado para fora, pois o respeito por todos deve imperar, num Centro que trabalha em nome de Jesus.

A Iabá tem a responsabilidade de ensinar várias coisas ao médium iniciante, tais como os cuidados que o médium deve ter com a própria roupa que se utiliza nos trabalhos no Centro. Ensina também a bater cabeça no Congá – que é um ato submissão, onde nos abaixamos diante de Jesus e todos os Orixás, pedindo sua proteção. O médium se abaixa e toca suavemente a testa no chão, ou no Congá, demostrando respeito pela terra que toca, e humildade ao se abaixar diante de Deus.

Outro ensinamento passado pela Iabá é o ato de salvar a trunqueira – um local físico que delimita o campo energético das linhas de direita e de esquerda, onde se fazem alguns tipos de descarregos. A esquerda dentro de um Centro, é quem segura a trunqueira, pois nela é feito o firmamento de um exu como chefe da esquerda e sob o comando dele trabalha todas as outras entidades da esquerda do terreiro, não podendo jamais fazer algo que contrarie a Lei.

O exu firmado como chefe, além de obedecer às Entidades de Luz, respondem também ao dirigente do Centro. Ele trabalha sob o comando de Ogum, que é a Lei, respondendo por todos os seus atos. A Umbanda trabalha sob a Lei que o Pai deixou escrita na Bíblia, ou seja, com humildade, fé, caridade, esperança, perdão, respeito, enfim, todas as virtudes. A Iabá também é responsável por cuidar da Trunqueira.

Uma Iabá sempre terá palavras de conforto e carinho para com os médiuns, e deve tratar todos de uma maneira igual e com respeito. Tanto os Babás, ou Dirigentes, como as Iabás sempre devem estar prontos para ajudar um irmão de fé, sem julgar quem merece ou não, tanto dentro ou fora do Centro.

Postado por Maria da Lua às 10:08 - Fonte de informação retirada do site:
http://umbandadeamor.blogspot.com/2007/08/iab.html

segunda-feira, 1 de março de 2010

INFLUENCIAS DOS ORIXÁS NAS MULHERES

Identifique qual orixá feminino tem a ver com você e tire lições das belas histórias, inspiradas no estudioso Pierre Fatumbi Verger no livro As Lendas dos Orixás (ed. Corrupio).


IEMANJÁ, rainha do mar e mãe generosa
Ela é a mãe suprema dos orixás. Com carinho, ampara seus filhos queridos. Mas também pode se tornar caprichosa e instável, como as águas do mar. • A HISTÓRIA: cansada de viver com Odudua, pai dos seus dez filhos, Iemanjá resolveu partir para o oeste, à procura de novos horizontes. Lá vivia Okerê, o rei da região, conhecido pela sensatez. Quando viu chegar a bela orixá das águas salgadas, o rei se apaixonou e lhe propôs casamento. Iemanjá aceitou o pedido com uma condição. "Nunca me humilhe pelo tamanho de meus seios. Nunca o perdoarei por isso", disse ela. Iemanjá tinha vergonha de seus seios grandes, caídos de tanto amamentar. Okerê concordou com a estranha condição e realmente a tratava com amor e respeito. Mas um dia, após se embriagar com vinho de palma, Okerê voltou para casa cambaleante, tropeçou na esposa e a derrubou. Irada, a orixá o chamou de bêbado e imprestável. O rei se esqueceu da sua promessa e gritou: "Quem é você para me dizer isso? Você, uma mulher de seios murchos e caídos? Você, com os peitos trêmulos e balouçantes?" Ofendida, Iemanjá partiu em direção ao mar, onde morava sua mãe, Olukum, a rainha dos oceanos. No caminho, se transformou num rio para desembocar ainda mais rápido no mar. Desesperado, Okerê foi a seu encalço e virou uma montanha, tentando barrar a passagem da esposa. Iemanjá desviou o rio para a direita, para a esquerda, mas não conseguiu passar. Pediu ajuda, então, a seu filho Xangô, o senhor da justiça, que mandou raios e partiu a montanha em duas. Assim, Iemanjá chegou ao mar, onde vive com sua mãe. Seus filhos até hoje lhe mandam presentes no fim do ano para aliviar sua solidão.
• CARACTERÍSTICAS: amorosos e dedicados, os filhos e as filhas de Iemanjá fazem tudo por seus companheiros e sua família. São maternais e têm o coração cheio de bons sentimentos. Mas quando se enfurecem não voltam atrás, exatamente como a orixá quando seu esposo quebrou o juramento. Como ela, também são suscetíveis e exigentes.
• CONSELHO: olhe mais para si e veja se não está vivendo apenas em função dos outros. Avalie o que realmente gosta de fazer e se dedique a atividades que lhe tragam satisfação. Aprenda a perdoar e não seja tão severo em suas cobranças. Fique atenta para o excesso de sensibilidade.


IANSÃ, a bela guerreira e senhora dos relâmpagos
Altiva e impetuosa, Iansã é o símbolo das mulheres temperamentais. Isso se deve a uma estranha característica: durante parte do dia, a orixá se transforma num búfalo selvagem, portanto, também tem uma natureza animal. • A HISTÓRIA: Ogum caçava na savana quando viu um búfalo ao longe correndo em sua direção. Preparou a lança para matar o animal. De repente, o búfalo parou, abaixou a cabeça e começou a se despir de sua própria pele. Saiu uma bela mulher, ricamente vestida com panos coloridos, turbante e pulseiras. A jovem enrolou os chifres e a pele, colocou dentro de um cupinzeiro e partiu para o mercado da aldeia sem perceber que Ogum tinha visto tudo. O senhor da guerra pegou a trouxinha escondida no cupinzeiro e também foi em direção à cidade. Lá, se aproximou de Iansã. Ela era tão sensual que o orixá se apaixonou e a pediu em casamento. Iansã sorriu e recusou. Mas Ogum tinha certeza de que ela cederia. Ao entardecer, a orixá dos raios voltou para procurar sua trouxinha e se transformar novamente em búfalo. Nada encontrando, retornou à aldeia, onde Ogum já a esperava. Furiosa, perguntou por suas coisas. Ogum fingiu inocência. "Não sei do que você está falando", disse ele. Iansã ficou, então, sem saída. Ela sabia da mentira, mas como não podia fazer nada, entregou os pontos: "Está bem, desisto. Vou casar com você. Mas nunca diga para ninguém que sou também um animal. Esse será nosso segredo". Ogum concordou e levou Iansã para casa. Ela foi sua primeira mulher e companheira de batalhas. Depois, se tornou a primeira esposa de Xangô.
• CARACTERÍSTICAS: as filhas de Iansã são parecidas com ela. Voluntariosas, gostam de tudo a sua maneira. Só se deixam vencer por quem sabe contornar seus ímpetos de fúria, como fez Ogum. Ao mesmo tempo, são mulheres corajosas, sem nenhum medo de lutar contra a injustiça e o preconceito. Como a própria divindade, metade animal, metade gente, os filhos de Iansã se consideram pessoas incomuns.
• CONSELHO: nem tudo precisa ser de seu jeito. Experimente enfrentar com paciência as situações que fogem ao controle. Avalie quantas oportunidades você já perdeu na vida porque não soube ter um pouquinho de diplomacia. Pratique ioga e meditação para abaixar esse excesso de fogo. Iansã ensina que é preciso saber lutar, mas também ceder.


OXUM, senhora dos rios, do amor e da riqueza
Os mitos sobre ela falam tanto de beleza, riqueza e sensualidade quanto de sua incomparável inteligência e senso de humor. • A HISTÓRIA: quando Xangô, marido de Oxum, trouxe a valente Obá para casa como sua terceira esposa, ela quase morreu de ciúmes. Logo se tornaram rivais. Tentando imitar o refinamento de Oxum, Obá espreitava na cozinha para descobrir os segredos das receitas que ela fazia para Xangô e, assim, surpreender o marido com as iguarias criadas pela outra. Louca da vida com a espiã, Oxum preparou uma armadilha. Escondeu suas orelhas sob um lenço e começou a cozinhar uma cheirosa sopa em que boiavam dois grandes cogumelos. Como quem não quer nada, Obá perguntou o que Oxum fazia. Ela deu a entender que, por amor, havia cortado as próprias orelhas para fazer o prato preferido do marido, uma sopa afrodisíaca. Quando Xangô chegou, devorou a saborosa sopa de cogumelos e logo levou Oxum para o quarto. No dia seguinte, Obá resolveu fazer a mesma coisa. Cortou uma de suas orelhas e fez um cozido. Quando chegou em casa e viu aquela comida horripilante, Xangô jogou o prato e repreendeu a esposa. Vitoriosa, Oxum desamarrou o lenço e Obá viu que ela ainda estava com as orelhas. Cheia de fúria, Obá avançou em direção a Oxum e as duas se engalfinharam. Até hoje, quando as filhas-de-santo incorporam Oxum e Obá nos terreiros, elas não podem ficar juntas.
• CARACTERÍSTICAS: sensuais e vaidosas, as filhas de Oxum também são inteligentes. Nessa história, fica mais evidente a opção do orixá pela astúcia e pela estratégia, em vez do confronto direto. Na África se diz que Oxum é sinuosa e surpreendente como o leito de um rio.
• CONSELHO: Oxum mostra que é possível combinar beleza com inteligência. O perigo está em exagerar e se perder nas próprias armadilhas. A imprevisibilidade da vida também tem seu encanto, e não é preciso controlar tudo o tempo todo. Cuidado com a obsessão pela estética, o egoísmo e a vaidade. Aprenda a compartilhar.


OBÁ, a valente lutadora das aldeias
Corajosa e cheia de vigor, Obá era tão boa de briga que decidiu se profissionalizar: ganhava a vida lutando como pugilista de aldeia em aldeia. • A HISTÓRIA: Obá derrotava todos os que a desafiavam – homens, mulheres e orixás. Derrubou Obatalá, o criador, tirou Oxóssi de combate e botou Exu para correr. Até que chegou o dia da luta com a mais temível das divindades: Ogum. Previdente, o senhor da guerra foi consultar o oráculo da cidade de Ifá. Os adivinhos aconselharam a fazer oferendas de espigas de milho socadas no pilão junto com quiabo. Assim ele seria abençoado e sairia vitorioso. Então, Ogum espalhou a oferenda viscosa num dos cantos do terreiro. Na hora do encontro, a lutadora disse: "Chegou o momento de nos enfrentarmos" . E se posicionou para o embate. Ogum começou a lutar e, como sempre, Obá parecia estar vencendo. Aos poucos, o guerreiro empurrou-a para o lado do terreiro onde se espalhava a oferenda. Lá, Obá pisou na massa viscosa e escorregou. Ogum aproveitou a queda da lutadora, arrancou seus panos e a possuiu. Dessa maneira, se tornou seu primeiro marido e grande amor.
• CARACTERÍSTICAS: Obá é o protótipo das mulheres batalhadoras, que sabem enfrentar com garra os desafios. Habitualmente, seus filhos não têm tempo ou interesse em coisas muito sofisticadas, a não ser que isso propicie a conquista de algo ou alguém. Embora valentes, são um pouco ingênuos, sendo quase sempre derrotados pela astúcia dos outros. A persistência é sua melhor arma.
• CONSELHO: ficar obcecada por metas pode tirar o encanto da vida. Tire partido de sua força sem deixar de desfrutar do prazer. Não se esqueça de que ceder também faz parte – ainda mais quando for por amor. Relaxe e faça as coisas apenas por gosto.


NANÃ, dona dos pântanos e da sabedoria
Divindade antiqüíssima da África, Nanã Buruku é a uma senhora turrona, firme nas suas opiniões e um pouco ranzinza. É considerada a avó dos orixás. • A HISTÓRIA: conta a lenda que todos os grandes homens das tribos da África, os imalés, se reuniram para decidir quem era o mais valente dos orixás. Louvaram Obatalá, o criador dos seres humanos, falaram das qualidades de Orumilá, o senhor do destino, exaltaram a força de Xangô, o justiceiro, e enfatizaram a importância de Exu, o grande mensageiro divino. Mas, ao fim, decidiram escolher Ogum como o mais forte. Nanã fez um muxoxo. "Quem é esse tal de Ogum? O que ele faz?", perguntou ela. Os chefes contaram como Ogum criou os instrumentos de agricultura e as armas da guerra, pois é o senhor dos metais. "Os seres humanos dependem dele para sobreviver", justificaram. "É pouco", resmungou Nanã. E decidiu que não ia render homenagem a Ogum. Paciente, o grande orixá da guerra resolveu intervir. "Nanã, fui escolhido por bravos guerreiros para ser homenageado. É justo que a senhora também o faça", ponderou. "De jeito nenhum. Não concordo com a decisão", disse a velha. E assim ficaram por horas discutindo. Até que, para forçá-la a mudar de idéia, Ogum lançou uma maldição: "Se for assim, de agora em diante, a senhora e seus filhos não poderão mais usar meus metais para guerrear e caçar. Quero ver como vão se arranjar". "Dá-se um jeito", disse ela, teimosa. Até hoje, os filhos de Nanã não usam metais no terreiro e suas oferendas não podem ser cortadas com faca. A comida oferecida é feita com colheres de pau.
• CARACTERÍSTICAS: cheias de autoridade, as filhas de Nanã parecem emanar a majestade das velhas rainhas. Ninguém ousa brincar com elas – nem elas gostam disso. Senso de humor não é seu forte, embora às vezes nem percebam esse seu jeito austero. Mesmo quando jovens e bonitas, parecem ter a maturidade, a prudência e a sabedoria das mulheres idosas. Porém são teimosas: quando decidem algo, não voltam atrás.
• CONSELHO: procure a companhia de gente mais jovem, experimente trabalhos corporais que dissolvam a rigidez do corpo e tente ver com mais compreensão os pontos de vista dos outros. Dançar também ajuda muito a devolver a alegria.
Repassado por nosso querida irmã e amiga Visi
Postado por Carlinhos Lima às 08:03
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